Estudos comprovam que o rádio, no Brasil, teve início em Recife, através de experiências feitas pelos cientistas amadores Oscar Moreira Pinto, aliado a Augusto Pereira e João Cardoso Ayres, que no dia 6 de abril de 1919, inauguram a Rádio Clube de Pernambuco.

Antes disso, porém, no período de 1893 e 1894, ao mesmo tempo em que a Europa e a América do Norte realizavam pesquisas, o padre gaúcho Roberdo Landell de Moura, desenvolveu as primeiras experiências com transmissão e recepção de sons por meio de ondas eletromagnéticas, experimentos estes, que eram superiores aos dos cientistas estrangeiros.
Ernani Fornari chega a registrar o desenvolvimento pelo padre gaúcho de uma lâmpada de três eletrôdos, semelhante à que Lee DeForest criaria em 1906 e indispensável para a transmissão da voz humana (FERRARETO, 2001, p. 83).

No Brasil, também em 1893, o padre gaúcho Roberto Landell de Moura, que estudara na Itália, teria demonstrado simultaneamente, em São Paulo, um telégrafo e um telefone sem fios, capazes de transmitir mensagens a oito quilômetros de distância (CAUDURO, apud, MEDITSCH, 2001, p. 33).

O inventor brasileiro não obtendo reconhecimento do público por seus experimentos, teve seus iventos danificados pelos fiéis da sua paróquia. Após apresentação de suas pesquisas ao cônsul inglês, que não o apoiou, Landell só consegui registrar suas patentes no Brasil, em 1900 e, quatro anos mais tarde nos Estados Unidos. O reconhecimento do padre gaúcho, veio através da mídia impressa, a exemplo do Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, que em 6 de junho de 1900, publicou uma carta em que Landell solicitava ao governo britânico patrocínio para suas pesquisas.
Quatro dias mais tarde, o mesmo periódico publicou notícias sobre o brasileiro a respeito de suas experiências, apresentadas no dia 3 do mesmo mês, no total foram cinco aparelhos, tendo destaque dois deles intitulados de anematofono e o teletiton, ambos sem fio.
O primeiro, obtinha todos os efeitos da telefonia comum e funcionava com nitidez e segurança mesmo com o tempo ruim e ventos fortes. O segundo, aparelho da telegrafia fonética, no qual duas pessoas podiam se comunicar sem que fossem ouvidas por outra. Landell criou então um aparelho semelhante, ligados à radiotelegrafia e radiotelefonia e, em março de 1901 recebeu a patente do governo brasileiro sob o número de 3279.
Em 1904, o governo norte-americano concedeu três cartas patentes a Roberto Landell de Moura pelos projetos, considerados bem mais preciosos e dignos de crédito, foram o telégrafo sem fio, o telefone sem fio e um transmissor de ondas.
Como refere Fernando Cauduro, o desconhecimento a respeito das pesquisas de Roberto Landell de Moura pode ter raízes políticas e econômicas. A radiotelegrafia e a radiotelefonia eram um interesse militar estratégico por facilitarem as comunicações militares entre os navios de uma frota (FERRARETO, 2001, p. 85).
No dia 7 de setembro de 1922, o discurso do presidente Epitácio Pessoa, em comemoração ao Centenário da Independência, deu início a primeira transmissão radiofônica oficial no Brasil, através de equipamentos importados, especialmente para o evento. Foram colocados 80 receptores em pontos estratégicos, para que o som fosse captado em diversos pontos da sociedade carioca.
Durante a Exposição Internacional do Rio de janeiro, em comemoração ao Centenário da Independência, a Westinghouse proporcionou ao Brasil, especialmente aos cariocas, a primeira demonstração pública da radiodifusão sonora no país.
Através de alto-falantes o público presente à inauguração ouviram os discursos do presidente da república e trechos de O guarani, de Carlos Gomes. A imprensa da época registrou que as transmissões se estenderam até outros estados, tamanha era a potência dos equipamentos.

A Rio de Janeiro and São Paulo Telephone Comapny, de combinação coma Westinghouse Internacional Company e a Western Eletric Company, instalou uma possante estação transmissora no alto do Corcovado e outros aparelhos de transmissão e recepção no recinto da exposição, em São Paulo, Niterói e Petrópolis.
Dessa forma, o discurso inaugural da exposição, feito pelo Sr. Presidente da Repúblicaa, foi transmitido pela cidade acima por meio da radiotelefonia. À noite, no recinto da exposição, em frente ao Posto Telefônico Público, onde se achava instalado um dos aparelhos de transmissão, foi proporcionado aos visitantes um espetáculo inédito para nós: daquele local, por intermédio do telefone de alto-falante, foi ouvida, por numerosa assistência, toda a ópera O Guarani, como era cantada no Teatro Municipal.
Nada deixou de apanhar o aparelho de recepção instalado no Municipal, nem mesmo os aplausos aos artistas que cantaram a ópera nacional. Em São Paulo, Niterói e Petrópolis também foi ouvida a obra imortal de Carlos Gomes (JORNAL DO COMÉRCIO, DO RIO DE JANEIRO, em 8 de setembro de 1922).

Efetivamente, o rádio brasileiro nasceu, 28 anos após as primeiras transmissões feitas por Marconi, quando em 20 de abril de 1923, o cientista e professor Edgar Roquette-Pinto e o diretor do Observatório do Rio de Janeiro, Henrique Moritze, fundaram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que alguns anos mais tarde foi transformada pelo governo e passou a ser denominada de Rádio Ministério da Educação.
Interessado pelas demonstrações de radiodifusão promovidas pela indústria Westinghouse, no Centenário da Independência, Roquette-Pinto apontou o desinteresse da população ao ouvirem o discurso do presidente em meio a tanto barulho e tumulto, então, com uma visão culturalista, reuniu um grupo de intelectuais da Academia Brasileira de Ciências para discutir o novo meio de comunicação.
Roquette-Pinto e Moritze, após reuniões com intelectuais da Acadêmica Brasileira de Ciência, implantam definitivamente a radiodifusão sonora brasileira, com a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Para que a rádio funcionasse bem, os cientistas conseguem junto ao governo federal o empréstimo de transmissores da Praia Vermelha durante uma hora por dia.

Em primeiro de maio de 1922, quando começam efetivamente as transmissões (mesmo que de forma precária) da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, o Brasil entra, definitivamente, na era do rádio.
O sucesso e a reprecussão das primeiras transmissões radiofônicas na imprensa resultaram, logo no ano seguinte, no estabelecimento da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Organizada graças aos esforços de Roquette-Pinto e Henrique Moritze, pretendia criar uma rádio cuja programação teria finalidades estritamente culturais e educativas. Essa foi oficialmente a primeira de muitas emissoras de rádio que surgiram em todo o país (CALABRE, 2002, p. 11).
O pioneirismo de Roquette-Pinto e Moritze foi questionado por alguns jovens da sociedade pernambucana, quando em 06 abril de 1919, fundaram a Rádio Clube de Pernambuco, em um velho sobrado do Bairro de Santo Amaro, em Recife, mais tarde denominada de Rádio Clube.
Na década de 30, o presidente Getúlio Vargas, com o objetivo de comunicar a nação sobre a decretação do Estado Novo, usou o rádio em cadeia nacional, criando então, o programa a Voz do Brasil. Com isso, a partir de então, o rádio brasileiro revelou-se como um meio de comunicação de massa.
O Brasil dos anos 30, diante dos fatos ocorridos, como por exemplo: a urbanização do Rio de Janeiro, transformando-se em metrópole, o movimento operário da Revolução Russa e o Movimento Tenentista, desencadeia um modernismo que tem como meta o surgimento de uma cultura de cunho nacional.
Inserido nesta idéia de modernização, estava o professor Roquette-Pinto que viu no rádio um instrumento de transformação educativa. Ele definiu o novo meio de comunicação como: “O rádio é o jornal de quem não sabe ler; é o mestre de quem não pode ir à escola; é o divertimento gratuito do pobre; é o animador de novas esperanças; o consolador do enfermo; o guia dos sãos, desde que o realizem com espírito altruísta e elevado”.
Conferências científicas, música erudita e análise dos fatos políticos e econômicos marcam, deste modo, as primeiras transmissões da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Intelectuais e cientistas estrangeiros em visita ao Brasil falam ao microfone da primeira emissora do país (FERRARETO, 2001, p. 98).
No período de 1923 até início dos anos 30, o Brasil deu início a uma nova fase histórica da radiodifusão sonora, com a regulamentação da publicidade, em 1932, o novo veículo de comunicação, surgem emissoras em vários estados brasileiros, a exemplo da Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
O rádio foi o primeiro meio de comunicação a falar individualmente com as pessoas, cada ouvinte era tocado de forma particular por mensagens que eram recebidas simultaneamente por milhões de pessoas. O novo meio de comunicação revolucionou a relacão cotidiana do indivíduo com a notícia, imprimindo uma nova velocidade e significação aos acontecimentos (CALABRE, 2002, p. 9).
Na década de 40, a programação do rádio tornou-se cada vez mais popular, com a invenção das rádios novelas e os programas de auditório, onde eram exibidas peças teatrais em grandes casas de espetáculo e cassinos. Cinco anos mais tarde, o presidente Eurico Gaspar Dutra proibe os jogos em cassinos, com isso as apresentações teatrais deixaram de ser realizadas nos cassinos.
Desde a década de 30, já existiam emissoras que possuíam programas de radioteatro, a exemplo das rádios paulista Record e a carioca Mayrink, porém a primeira emissora a transmitir radionovela foi a Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
No final dos anos 40, os Estados Unidos revolucionaram o mundo da radiodifusão, com a invenção de componentes eletrônicos que ampliavam os sinais elétricos, devendo-se este mérito aos cientistas da empresa norte-americana Bell Telephone Laboratories. Os experimentos consistiam na possibilidade de trocar as válvulas que ocupavam muito espaço, sendo substituídos por transistores que podiam funcionar a pilhas, reduzindo assim os custos.
Em meados dos anos 50, o rádio transitorado chegou ao Brasil, iniciando-se assim, a produção dos experimentos em território nacional. Mesmo com o surgimento e valorização da televisão, ainda nos anos 50, o rádio brasisileiro tornou-se um veículo mais acessível pela grande maioria da população.
Na década de 60, grande parte da programação do rádio teve que ser transferida para a televisão, mesmo com o sucesso alcançado em décadas anteriores, onde o veículo havia se tornado em um meio de comunicação efetivamente popular.
Estas mudanças deram origem a novos modelos de programação radiofônica, cada vez mais distantes daquele que prevaleceu nos “anos dourados” do rádio brasileiro (CALABRE, 2002, p. 8)